
A área ocupada pela agropecuária no entorno de áreas protegidas da Amazônia cresceu 561% desde 1985 e atualmente ocupa 31% dessa faixa territorial. Nas áreas localizadas a até cinco quilômetros das estradas, a atividade representa 40,2% da área, o equivalente a 63 milhões de hectares. Os dados são do MapBiomas, que analisa as mudanças na cobertura e no uso da terra no Brasil entre 1985 e 2025.
O levantamento identificou 618 mil km de estradas na Amazônia, dos quais 41,5 mil quilômetros estão dentro de áreas protegidas. Entre as principais rodovias, a BR-163, que passa por Novo Progresso, no sudoeste do Pará, apresenta 39% de ocupação agropecuária em seu entorno, considerando um raio de 20 quilômetros. Na BR-364, o percentual chega a 43,5%. Já na BR-319, a vegetação nativa corresponde a 86% da área analisada no mesmo raio.
Entre 1985 e 2025, a Amazônia perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa. Em 2025, foram registrados 693 mil hectares de desmatamento, o menor valor da série histórica apresentada pelo estudo.
A pastagem foi o principal uso identificado após o desmatamento. No período analisado, sua área cresceu 556%. A agricultura também avançou, passando de 161 mil hectares, em 1985, para 8,6 milhões de hectares, em 2025. A área ocupada pela soja aumentou de 1,4 mil para 7 milhões de hectares.
Na região conhecida como Amacro, que abrange áreas dos estados do Amazonas, Acre e Rondônia, a vegetação nativa diminuiu cerca de 7 milhões de hectares desde 1985. A região concentra 13% de toda a perda de vegetação nativa registrada no bioma neste período. Entre 2015 e 2025, foram perdidos 2,7 milhões de hectares.
O estudo também aponta diferenças na proporção de vegetação nativa remanescentes nas áreas de cada estado inseridas no bioma Amazônia. Em 2025, o Amapá apresentou a maior proporção de vegetação nativa, com 95,5% de sua área inserida no bioma. Em seguida aparecem Amazonas (94,6%), Roraima (92,3%) e Acre (84,2%).
Na outra ponta, o Tocantins registrou 24,6% de vegetação nativa, seguido pelo Maranhão, com 49,8%, Rondônia, com 59,1%, e Mato Grosso, com 61,7%.
No Pará, a expansão agropecuária também aparece associada às transformações na paisagem,especialmente em áreas próximas a estradas. Um dos exemplos é Novo Progresso, nas proximidades da BR-163, onde a abertura de áreas desmatadas destinadas à formação de pastagens integra o processo de transformação da cobertura vegetal.
Apesar das pressões, as áreas protegidas mantêm elevados percentuais de vegetação nativa. Segundo o levantamento, essas áreas, que incluem Terras Indígenas, unidades de conservação e terras quilombolas, conservam 98% de sua cobertura formada por vegetação nativa. Nas Terras Indígenas, esse percentual chega a 98,9%.
Segundo MapBiomas, a abertura de estradas e acessos secundários pode facilitar a chegada de atividades econômicas a regiões antes isoladas, aumentando o risco de desmatamento, exploração madeireira e ocupação irregular.
O levantamento também aponta o crescimento da mineração na Amazônia. A atividade passou de 32 mil hectares, em 1985, para 440 mil hectares, em 2025. Quase metade da área total acumulada de mineração no período analisado foi aberta nos últimos dez anos.