Movimentos sociais cobram participação popular em Comitê sobre Mudanças Climáticas em Santarém

Movimentos e entidades que compõem a Frente pelo Clima em Santarém questionam a ausência da sociedade civil no comitê municipal e exigem a participação de representantes dos territórios nas decisões sobre a prevenção e o combate às queimadas

29/10/2026 às 16h55 Atualizada em 29/10/2026 às 17h19
Por: Tapajós de Fato
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Foto: Kamila Sampaio/MTV
Foto: Kamila Sampaio/MTV

Em outubro de 2026, o município de Santarém, no oeste do Pará, atingiu o nível “péssimo” de qualidade do ar, segundo o Professor Gabriel Costa do Laboratório de Agrometeorologia e Diagnóstico Ambiental da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A situação acendeu um alerta sobre os impactos diretos da poluição atmosférica na saúde e no cotidiano das famílias moradoras da região, especialmente crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios. 

A causa da fumaça que encobre Santarém é bastante conhecida de anos anteriores e está relacionada às queimadas na região da rodovia Trans-Uruará, que conecta municípios do Baixo Amazonas às regiões do Xingu e da Transamazônica. Mesmo que os incêndios já fossem previstos, as medidas de prevenção e combate não foram suficientes para conter o avanço do problema.  

De acordo com a Frente pelo Clima, rede formada por organizações e movimentos sociais da região em defesa da garantia de direitos diante da emergência climática, é necessário responsabilizar os autores dos incêndios criminosos em áreas ainda não destinadas, que, segundo a rede, estariam sob pressão da especulação imobiliária. 

Para Pedro Martins, educador popular da FASE Amazônia, as orientações dirigidas aos órgãos ambientais e a outras secretarias não foram observadas em 2026. “Em 2023 e 2024, vivenciamos extremos climáticos na região, com isso os focos de incêndios foram mapeados, as tendências de continuação dos problemas foram relatadas, e o mal uso do recurso público foi reportado, mas o poder público local deixou passar”, afirma. 

Em 15 de outubro, a Prefeitura de Santarém decretou situação de emergência em razão da estiagem do Rio Tapajós, que já apresentava nível crítico, abaixo da cota de alerta. Naquele período, o município também liderava o ranking nacional de focos de incêndio, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Entretanto, somente nesta quarta-feira (28), a administração municipal anunciou medidas de emergência ambiental e a proibição do uso do fogo por 180 dias. 

Para a Frente pelo Clima, no entanto, o enfrentamento da crise exige mais do que medidas emergenciais. A rede cobra a efetividade de políticas públicas capazes de antecipar riscos, proteger a população e os territórios e garantir a participação social nas decisões ambientais.

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Movimentos questionam composição do Comitê municipal

Em Santarém,  o poder público municipal instituiu, por meio do Decreto nº 1.351, de 4 de junho de 2025, o Comitê de Gestão de Riscos e Queimadas e Mudanças Climáticas. O órgão tem entre suas atribuições articular instituições, mapear áreas de risco, acompanhar focos de calor e coordenar ações de prevenção e combate aos incêndios florestais, além de contribuir para a resposta aos impactos das mudanças climáticas. 

A composição do Comitê, contudo, é questionada por movimentos sociais que afirmam não ter sido convidados a integrar o espaço. Para essas organizações, a estrutura atual - centrada em órgãos de governo - representa uma fragilidade de governança climática ao não incluir representantes da sociedade civil. 

“Os movimentos sociais e organizações de base não foram convidados para integrar o Comitê e sem a participação popular será muito mais difícil resolver os problemas que estão nos territórios” aponta Darlon Neres, do Coletivo Guardiões do Bem Viver. 

De acordo com Luci Nascimento, do Movimento Tapajós Vivo, a sociedade civil acumulou, ao longo dos últimos anos, experiências importantes no enfrentamento dos extremos climáticos em áreas rurais e urbanas. Essa experiência, segundo ela, foi adquirida a partir da vivência nas comunidades e da atuação junto às pessoas, à floresta e aos animais. 

Para os movimentos, a participação popular pode contribuir para identificar áreas mais vulneráveis, reconhecer os impactos das queimadas e construir respostas adequadas às necessidades de cada território. A reivindicação também envolve garantir que as decisões sobre prevenção e enfrentamento da crise climática considerem as populações diretamente afetadas.

Frente Pelo Clima convoca manifestação

Diante desse cenário, a Frente pelo Clima convoca a população para uma manifestação pública no dia 01 de novembro, domingo. O ato pretende denunciar o que as organizações consideram omissões do poder público e outras irregularidades. Entre as questões levantadas pela rede estão a necessidade de ampliar a fiscalização ambiental, investigar possíveis relações entre conflitos fundiários e queimadas na região da Transuruará e fortalecer as ações de prevenção e combate aos incêndios.

A mobilização também busca chamar a atenção para a importância de incluir organizações da sociedade civil e representantes dos territórios nos espaços de formulação e acompanhamento das políticas públicas relacionadas às mudanças climáticas.

Para a Frente pelo Clima, enfrentar a crise exige articulação entre os diferentes níveis de governo, fiscalização efetiva e participação social. A rede defende que as políticas de prevenção e resposta aos eventos extremos sejam construídas com quem conhece a realidade dos territórios e vivencia seus impactos.

O ato ocorre a partir das 18h do dia 01 de novembro (domingo) saindo da Praça Matriz até o Centro Cultural João Fona, na Orla de Santarém. 

 

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